Juro que tentei contribuir para a discussão que o Rodrigo James propôs neste post, no blog dele, mas não consegui de forma alguma comentar. Então minha opinião vai aqui mesmo.
Só eu acho MUITO surreal esse argumento do Ricardo, da Assessoria de Comunicação da Fundação Municipal de Cultura da PBH:
“sem limitar a quantidade de público no local, como se chegar ao número ideal de policiais, banheiros, barracas, portões e etc. Ou seja: sem conseguir determinar o volume máximo da demanda, como atendê-la adequadamente?”
E aí tem o cercamento da Praça né? Sente só o visual bacana da Praça da Estação, no último 12 de dezembro, dia do mega show de encerramento da Semana de Direitos Humanos, que teve homenagem pro Milton Nascimento, com Lenine, Elza Soares, Fernanda Takai e uma caralhada de gente legal.
Fala que não lembra essa brincadeira aqui, da Barreira de Proteção ao Patrimônio da Praça da Estação.
Aí que eu busco na minha memória 2 ou 3 5 momentos sensacionais de ocupação do espaço público urbano que eu vivi recentemente, tanto aqui em BH quanto fora de Minas. Vamos a eles:
Momento 1 – Show do Pequeno Cidadão no Conexão Vivo 2010, na Praça da Liberdade. Pais, mães, avós, avôs, e muitas crianças. E muitos jovens. Com cadeiras, com banheiros, com segurança, com organização. Nice! Sem grades ao redor da praça. Sem painéis para impedir a visão de quem passava ao redor da praça, de carro.
Momento 2 – julho de 2009, Praça do Papa, Grupo Galpão, “Till, a saga de um herói torto”. Muita gente, de todas as idades. Banheiros públicos, segurança, conforto. Sem grades ao redor da praça.
Momento 3 e 4 – Sensacional, março de 2010. Ou Duelo de MCs, às sextas-feiras a noite, sempre. Tudo debaixo do Viaduto Santa Tereza. Sensacional com mais segurança, Duelo nem tanto, já que o Poder Público INSISTE em não respaldar o corre da Família de Rua. Nada de grades.
Momento 5, pra fechar, porque tô ficando prolixo. Fevereiro de 2010. Recife, Pernambuco. Carnaval. Marco Zero, com Otto, Arnaldo Antunes, etc, etc, etc. Várzea, com Eddie e Nação Zumbi. Cais da Alfândega, Rec Beat, muitas bandas. Muita gente nas praças, nas ruas. Muita gente. Sem grades (ou com poucas grades). Com banheiros públicos. E com segurança (se você não vacilar, claro né Brasil?)
Dá pra entender meu ponto? Tem uma coisa que chama expectativa de público que, como dizia o outro candidato (que não acho que seria melhor que o Lacerda) – dá pra fazer! E já foi feito, na tal Praça em questão mesmo – quanta gente já não viu espetáculos maravilhosos do FIT na Praça da Estação? Ou mesmo o show do Milton Nascimento, em 2008, na comemoração dos 40 anos da Petrobras em Minas? A praça não estava cercada. Não estava dividindo nada.
Se realmente a vontade fosse de ocupar as ruas, e a praças com o povo, no último fatídico e tosco episódio do show dos Direitos Humanos, a preocupação seria a de desviar o trânsito da Andradas para que o povo pudesse ocupar realmente as ruas, como deve ser. E não iam rolar barreiras que impedem a visão de quem está “de fora”. E é tão surreal usar “de fora” para falar de um show na Praça da Estação.
E além disso tem a vergonha né? Porque esse show foi no último dia da Feira Música Brasil 2010. Como explicar para os amigos paraenses ou pernambucanos aquela praça cercada, delimitada, excludente? Como explicar?
Ou eu devo ser muito burro, ou não saber nada, nadinha, de produção de eventos….porque para mim é inconcebível que isso esteja ocorrendo. Não dá pra fugir dessa palavra – é surreal.


André, boa tarde.
Obrigado pela sua colaboração na discussão!
Mas acho que faz mais sentido a minha colocação se lida com mais contexto:
…Assim, concordo em gênero número e grau com a opinião do João, quando ele diz:
Há muitas formas de conter a destruição do patrimônio e de garantir segurança às pessoas. Além da tecnologia existente, em termos de informação e inteligência não inventaram nada melhor que educação para conter os impulsos destrutivos. Impedir ou dificultar o acesso a espaços públicos é aposta na mais deseducada das atitudes: a repressão prévia.
O problema é que no mesmo parágrafo, ele sugere que:
Um lugar bem preparado, com policiamento adequado, banheiros em quantidade suficiente, com bom fluxo de informação, transporte público bem planejado, suporte para quem carece de atenção especial – este é o pacote mínimo para uma política educada de quem quer receber público com dignidade e atenção. Sobretudo se o visitante é o dono da casa.
Mas não reconhece (ou pelo menos não oferece soluções) para a resolução dessas questões: sem limitar a quantidade de público no local, como se chegar ao número ideal de policiais, banheiros, barracas, portões e etc. Ou seja: sem conseguir determinar o volume máximo da demanda, como atendê-la adequadamente? Uma analogia, já que ele falou em falou em “casa”: quando você dá uma festa na sua casa você sabe, aproximadamente, quantas pessoas vão, e seu circulo é limitado, por isso é fácil estimar a demanda. Num espaço aberto, não temos como.
Você pode até pensar, ah, mas a PBH tem que prever que podem aparecer 500.000 pessoas. E eu posso te perguntar: faz sentido montar, toda vez, uma estrutura para 500.000 pessoas? É um uso correto do dinheiro público? E quando o evento é privado? Faz sentido cobrar isso de qualquer organizador? Eu acho que não, mas sua opinião pode ser outra.
Ou seja, quando um evento é realizado por um agente da iniciativa privada, seguindo seu próprio planejamento, e a demanda é menor do que a prevista, é um risco inerente à iniciativa privada. Porém, se a demanda for maior, a grita não será somente contra o realizador privado, mas também contra a administração pública, por não prover segurança e/ou limpeza adequadas.
Porém, o que não se pode esquecer é que não é papel do poder público fornecer recursos públicos para interesses privados . Quando isso ocorre, é exigida uma contrapartida para que a cidadania –que abrange muitas necessidades e prioridades, das quais decerto a cultura não é a menor delas, obviamente – e o erário não sejam prejudicados. Agir de modo diferente é que seria preocupante.
Agora, planejar, negociar e instituir essas situações caso a caso também demandam um custo tanto à PBH quanto aos realizadores, não tanto financeiro mas de tempo. O decreto em vigor facilita a instituição dessa contrapartida ao estabelecer moldes nos quais esses eventos devem se enquadrar e, para esses moldes, já indica os valores de contrapartidas adequados.
Minha opinião foi toda no sentido de mostrar as dificuldades do poder público, que tem preocupações, restrições e prioridades muito mais complexas, que abrangem todo o município (neste caso da Praça) e a interlocução com os cidadãos, entidades públicas, privadas e do terceiro setor, e não só do ponto de vista da produção dos eventos.
E lembrando que, como falei na minha opinião enviada ao Rodrigo, a PBH aceita sim modificar suas posturas e determinações. E se o teor das críticas for bem elaborado, direcionado e contemplar os vários lados das questões, fica muito mais fácil ter sucesso nessas iniciativas.
Grande abraço, e ao inteiro dispor,
Ricardo Costa
Opa Ricardo!
claro que tem que se levar em conta tudo que você falou, mas como a ideia era continuar uma discussão que já tinha começado em outro lugar, não achei necessário reproduzir tudo e coisa e tal. e, antes de continuar, acho muito doido você dar a cara a tapa e vir discutir essas coisas com a gente, espontaneamente. =D
mas cara, sinceramente, essa possibilidade/vontade de diálogo que você coloca, de interlocução entre PBH, FMC e cidade, não acho que isso existiu até agora. claro que parece que agora, depois de tanto esforço, depois de tantas praias e tudo mais, isso vem mudando. a própria realização do Transborda na Praça já foi um avanço. Mas aí, contraditoriamente, o lance da semana de direitos humanos vem como retrocesso. aquelas placas foram ridículas. além do simbólico, do que representa uma praça cercada, tem o prático, que também fica avacalhado, como ponderou o João Paulo Cunha na matéria.
vejo pouca vontade política da atual administração municipal em realmente favorecer as ocupações públicas espontâneas, principalmente com cultura, pela cidade afora. o perrengue que o coletivo família de rua passa para manter o duelo sem o apoio da prefeitura e da regional centro-sul é muito sério, e é o maior exemplo dessa falta de vontade de estabelecer diálogo e contribuir para essas ocupações.
mas enfim – acho que o tom do seu comentário, principalmente no final, é o caminho para tentar mudar alguma coisa. e é isso que as pessoas vem fazendo – se organizando, discutindo e sistematizando demandas para serem apresentadas. do jeito que tá não rola de ficar, e ninguém tá parado né?
Praça Livre Brasil!
Olá Ricardo!
Como é calculado e será controlado o público que vai aos dois reveillons promovidos pela Prefeitura. Na Praça da Estação estão previstas 200 mil pessoas, no entorno da Lagoa da Pampulha 500 mil pessoas.
Como será feito o controle dessas pessoas? Depois de alcançado o número previsto as vias públicas serão interditadas? O problema Ricardo é a total incoerência e contradição da administração pública.
Abç,
Fidélis